O Cidadão consciente Vota consciente?
Luciane Heffel de Oliveira
As eleições se aproximam. Nossos representantes estão desacreditados como nunca se viu na história do país. A desesperança toma conta da maioria dos brasileiros de bem. Como mudar os acontecimentos que temos visto dia-a-dia em nosso país? Temos poder para tanto? Podemos ter esperanças de que um dia algo poderá ser diferente?
Estas questões ficam a rondar a mente dos cidadãos brasileiros. Inicialmente o Brasil foi colônia de Portugal. Obedecia a ordens, depois, com a “independência”, um imperador dava as ordens e o povo obedecia. Todos podiam dizer: “Que fazer se ele é quem manda?” Passou de monarquia a república com eleitores reduzidos, somente homens; escravos e mulheres não votavam; o voto era indireto. Passou por uma ditadura militar, cidadãos sem direito a voto e eles se diziam nossos representantes. Mais uma vez o povo podia dizer ”Que fazer se eles mandam?” Muitos tentaram, uns foram torturados, outros morreram. Finalmente veio a abertura política, da ditadura à democracia total. Sem escravidão todos ficaram iguais de uma hora para outra. E votam. As mulheres passaram a votar, ao invés de votar em delegados, votar diretamente depois do movimento Diretas Já, os caras pintadas, lembram?
Agora, em 2006, temos pela frente a maior eleição da história do Brasil e estamos desanimados, isto para não dizer desamparados. Alguns decididos a votar em branco, outros querendo anular o voto. A mídia usando de todas as formas para convencer os brasileiros de que o caminho não é este. E aí, onde isso tudo vai parar? Podemos fazer alguma coisa para frear o negativismo? Podemos!
A única arma que temos é o voto. Por mais difícil e complexo que seja o quadro de candidatos que se apresenta, o voto é essencial para o fortalecimento da democracia. É através dele que todos são iguais e têm os mesmos direitos, não importa cor, raça, credo ou sexo, todos têm direito ao mesmo voto, a mesma escolha, a mesma decisão.
Alguns são contra a obrigatoriedade do voto, mas esta discussão não tem lugar neste momento. Quem não vota ou não tem direito ao voto não pode cobrar com legitimidade o seu representante. Não há democracia sem o direito ao voto, o princípio primeiro da democracia. E muitos estão dispostos a deixar a oportunidade passar.
Mas retornando à questão do voto consciente, o que significa o voto consciente para um povo, para uma nação? Significa a manutenção direta da democracia, o fazer acontecer, a realização de fato dos direitos do cidadão.
Voto consciente é aquele que precisa ser exercido com convicção, com cuidado, de fato, sem a influência de terceiros. O voto consciente só poderá ser exercido legitimamente se o eleitor o fizer com total consciência individual, sem ser influenciado pela troca de favores, pela promessa de emprego fácil, pela troca por uma carga de areia ou um cesta básica Votar consciente é saber quais são as propostas de seus candidatos, saber que há possibilidades de que eles cumpram com o que prometeram, sendo promessas totalmente possíveis, acompanhando o trabalho desenvolvido pelo representante durante seu mandato, exigindo seu respeito, fidelidade às suas ideologias e cumprimento do dever.
Enfim, a real democracia acontecerá na medida em que o cidadão estiver consciente de que o número digitado na urna eletrônica é a arma que ele tem para varrer os maus representantes. Que esses números não são uma combinação simplória de dígitos, mas um exercício de cidadania.
18 Setembro 2006
O Cidadão consciente Vota consciente?
Postado por Luciane H. O. às 5:14 PM 0 comentários
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