29 Junho 2006

UMA VELHA HISTÓRIA



De tudo o que Quintana já escreveu - e foi muita coisa boa! - tem um conto que para mim é muito especial:

VELHA HISTÓRIA
Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente.
E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelos cafes. Como era tocante vê-los no "17"! - o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante café, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...
Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam na margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:
"Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!..."
Dito isto, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho nágua. E a água fez um redemoinho, que foi depois serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado...

20 Junho 2006

Rubem Alves

"Escrever é minha grande alegria! Já me sugeriram escrever um romance. Não escreverei. Romance é coisa complicada, estória com princípio, meio e fim. Não tenho competência, não tenho paciência, não tenho tempo. Já tenho 71 anos. É preciso escrever curto porque a arte é longa e a vida é breve"
" Vejo o que quero que os outros vejam comigo. Por isso escrevo. Faço fotografias com palavras. Diferentes dos filmes que exigem tempo para serem vistos, as fotografias são instantâneas. Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver."
" O que escrevo são aperitivos. Na literatura, freqüentemente, o curto é muito maior que o comprido. Há poemas que contém um universo.
Mas escrevo também com uma intenção gastronômica.. Quero que meus textos sejam comidos. Mais do que isso: quero que eles sejam comidos com prazer."
"Como sou escritor, o que desejo é que os livros que escrevi dêem alegria.. Quero que sejam lidos e degustados."

Rubem Alves

Acho que encontrei nas palavras de Rubem Alves um sentido que buscava pra meu ato de escrever. Muito promissoras as palavras quando despertam em nossa alma sentimentos e sensações de vida - "...e a vida é breve."

E nessa brevidade da vida ficamos querendo levar as pessoasa a pensar conosco, na direção que nosso pensamento nos leva. Queremos ser muitos na mesma direção, caminhando de mãos dadas, buscando um mesmo caminho, sentindo o calor humano, mesmo que muitas vezes esse calor não seja tão humano como gostaríamos.

E todos juntos vendo e construindo a mesma fotografia, com cores diferentes, umas mais sóbrias, outras mais vivas e outras ainda mais alegres. Cada fotografia com seu teor, sua inspiração e seu momento. É isso, somos individualmente momentos diferentes, e, ao mesmo tempo, um momento único. Somos o tempo, o agora, o presente. Somos...

Somos, talvez, um sabor naquilo que vivemos.

Sabor gastronômico?

18 Junho 2006

Trava-línguas




Hoje o Brasil jogou contra a Austrália e vou dizer que quase perdi a esportiva. Um time trancado, travado, que não levava a bola com o talento com que sabemos que nossos jogadores têm. por isso, resolvi colocar aqui umas trava-línguas..quem sabe treinando eles não saem jogando mais leve e mais aberto.

Se a aranha arranha a rã,
se a rã arranha a aranha.
Como arranha a aranha a rã?
Como a rã arranha a aranha?

O tempo perguntou pro tempo
qual é o tempo que o tempo tem?
O tempo respondeu pro tempo que
não tem tempo pra dizer pro tempo
que o tempo do tempo
é o tempo que o tempo tem.

Um sapo dentro do saco
O saco com o sapo dentro
O sapo batendo papo
O papo cheio de vento.

A sábia não sabia que o sábio sabia que o sabiá sabia
que a sábia sabia que o sábio não sabia
que o sabiá não sabia que a sábia não sabia
que o sabiá sabia assobiar.



Agora quem sabe desenroland a lingua os jogadores não abrem o nó das pernas....

13 Junho 2006

Hoje começa a copa



É hoje o dia. Todo brasileiro aguarda o momento de poder torcer pelo seu país durante os jogos da copa. Poderia acontecer também em outros momentos, no Festival do Cinema, nas reuniões doa países da ONU, na hora de votar as leis no Congresso, leis importantes que podem modificar a vida dos brasileiros, enfim, qualquer momento importante poderia servir para que esta união que inicia hoje possa fazer acontecer.
Sim, fazer acontecer. Transformar o Brasil em um país desenvolvido, um país que valoriza seu povo, um país onde valha a pena viver e se orgulhar. Um país sem malas ou cuecas cheias de dinheiro. Um país sem fome ou miséria. Um país de onde saiam cientistas que farão grandes alterações no mundo futuro.
É esse o país que eu quero e que todos queremos. Que traga saúde, paz, alegria e amor ao seu povo.
Vamos nos unir em torno desse ideal!
Pode até ser depois da Copa 2006, com o hexa na mão.

06 Junho 2006

Não engolir sapos, como????









Tem dias em que parecem estar propícios ao engolimento dos anfíbios. Dia de reunião. Atividade diferente da rotina. Já imaginou engolir sapos de todos os tipos???? Fiquei a imaginar o gosto que os bichinhos grudentos devem ter ao serem degustados assim, na sua forma original. Mas olha só, eles são tão lindinhos...............

01 Junho 2006

Felicidade

Como hoje estou sem tempo, deixo um filminho do Porta Curtas Petrobrás pra vocês.

Vale assistir e tentar encontrar a felicidade. Quanta reclamação no dia-a-dia a procura dela!!!!


Felicidade



Felicidade
Gênero Ficção
Diretor Alex Nader, Cristina Savian
Elenco Duda Ribeiro, Eduardo Chamom, Gabriel Gracindo, Luciana Bezerra
Ano 2005
Duração 9 min
Cor P&B
Bitola vídeo
País Brasil

Um morador de rua tenta provar que a felicidade está nos pequenos gestos e ações do dia-a-dia.


Ficha Técnica
Produção Daniel Scatena Fotografia Rodrigo Alayete Edição Alex Nader, Rodolfo Assis, Cristina Savian, Daniel Scatena, Vitor Van Rause Som Direto Deise dos Santos Direção de Arte Ana Beatriz Ferreira Figurino Nice Lopes Assistente de Câmera Rodrigo Fernandes Assistente de Produção Marcelo Assunção, Renato Libman Continuidade Adriana Brockman